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Dia Mundial da Língua Portuguesa celebrado no Parlamento Europeu com foco em mulheres, inovação e empreendedorismo



BRUXELAS, 5 de maio de 2026 – O Parlamento Europeu acolheu, esta terça-feira, uma iniciativa dedicada ao Dia Mundial da Língua Portuguesa, reunindo líderes, decisores e representantes do espaço lusófono para um debate de alto nível sob o tema “Construir o Futuro em Português: Mulheres, Inovação e Empreendedorismo”.


O evento, organizado pela Câmara de Comércio Belgo-Portuguesa (CCBP) em parceria com a Fundação For Women By Women e com o apoio do grupo S&D no Parlamento Europeu, estruturou-se em três momentos principais: discursos de abertura, debate moderado e sessão de encerramento .


A sessão de abertura contou com intervenções da Eurodeputada Carla Tavares, de Kathleen Figueiredo Laissy, Presidente da Câmara de Comércio Belgo-Portuguesa, de Sónia Silva, Presidente da Fundação For Women By Women, e da Embaixadora Lurdes Bessa, em representação da Presidência da CPLP.


Na sua intervenção, Kathleen Figueiredo Laissy destacou que “não basta falar de liderança feminina: é preciso estruturá-la, apoiá-la e fazê-la crescer”, sublinhando a necessidade de transformar o debate em ação concreta, nomeadamente através de redes de apoio, visibilidade de percursos e programas de mentoria capazes de romper o chamado “teto de vidro”. Reforçou ainda a ambição de afirmar o português como língua de futuro, de influência e de oportunidade económica, posicionando-o como um verdadeiro ativo estratégico num mundo cada vez mais competitivo.


Por sua vez, Sónia Silva trouxe uma perspetiva ancorada no terreno, partilhando o trabalho da Fundação FWBW e defendendo que o desenvolvimento começa nas comunidades e na capacitação concreta das mulheres, nomeadamente através da educação e do acesso ao digital. Sublinhou o papel da língua portuguesa como instrumento de diplomacia, confiança e aceleração de oportunidades, capaz de ligar realidades tão distintas como África, Europa e América Latina.


O painel de debate, moderado pela própria Sónia Silva, reuniu um conjunto diversificado de líderes do espaço lusófono, refletindo a pluralidade geográfica, setorial e de percursos:

Indira Campos (Grupo Banco Mundial, Cabo Verde), Mafalda Ferreira Santos (Sérvulo & Associados, Portugal), Leonor Sottomayor (Tabaqueira, Portugal), Marisa Monteiro Borsboom (Câmara de Comércio Países Baixos–Portugal), Agnes Borges (Câmara de Comércio do Brasil na Bélgica e no Luxemburgo), Vera Alves (Alba Groupe, Luxemburgo) e Isabel Cardoso-Fonquerle (Domaine de L’Oustal Blanc, França).


Estruturado em três eixos – língua como ativo económico, digital e inovação, e liderança feminina – o debate procurou responder a questões centrais sobre o papel do português enquanto ferramenta de negócio e fator de posicionamento estratégico.


No primeiro eixo, destacou-se a ideia de que a língua portuguesa vai muito além da comunicação, funcionando como fator de confiança, redução de barreiras e aceleração de relações económicas. A partir de diferentes geografias – do Brasil à África lusófona, passando pelo Benelux – as oradoras sublinharam o valor da língua como ponto de partida comum num contexto global competitivo.


O segundo eixo evidenciou o papel do digital enquanto motor de internacionalização, mas também enquanto espaço onde persistem desigualdades. As intervenções destacaram a necessidade de reforçar a capacitação digital, a inovação e a gestão estratégica da reputação e das partes interessadas, particularmente em setores expostos a forte pressão regulatória.


Já no terceiro eixo, dedicado à liderança feminina, emergiu uma reflexão clara sobre a diferença entre acesso e poder, bem como sobre a importância de criar mecanismos concretos que permitam às mulheres não apenas entrar, mas liderar e transformar os espaços de decisão. Foi igualmente debatida a tensão entre espaços dedicados às mulheres e a necessidade de conquistar o espaço principal, numa lógica de transformação estrutural.


O debate encerrou com uma pergunta dirigida a todas as oradoras: o que falta construir no espaço lusófono para potenciar o impacto das mulheres líderes na próxima década? As respostas convergiram na necessidade de reforçar redes, confiança, acesso a oportunidades e colaboração entre países e setores.


Na sua conclusão, a Eurodeputada Carla Tavares destacou a relevância de iniciativas que cruzam língua, igualdade e desenvolvimento, reforçando o papel da língua portuguesa como fator de aproximação entre povos e como instrumento de projeção internacional.


Mais do que uma celebração simbólica, este evento afirmou-se como um momento de reflexão estratégica e de ligação entre comunidades, evidenciando o potencial do espaço lusófono enquanto plataforma de cooperação económica, inovação e liderança global.

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